Porque as pessoas tem dificuldade de expressar o que sentem?

Você já observou nos seus relacionamentos diários, como poucas pessoas se sentem livres para expressar o que sentem? E pior, muitas buscam ser amadas ou aceitas a qualquer preço. Porque isso acontece?

Existem algumas razões:

Somos analfabetos emocionais e relacionais ? todo mundo é um pouco analfabeto quando se trata de emoções, em menor ou maior grau. Infelizmente não nos é ensinado nas escolas nada sobre como devemos expressar as nossas emoções e nem lidar com elas. Aprendemos sobre história, geografia, matemática, mas não o que devemos falar ou fazer quando estamos tristes. Quantos de nós não sofremos bullying? Quando o amigo te riducularizou, quando as pessoas riram de você sem motivo, quando acabam com a sua auto estima, o que foi feito? A resposta geralmente é NADA. Nada é feito, nada é dito. São poucos os professores ou educadores que sabem lidar com essa situação.

Estive em um recente evento com Augusto Cury e quando ele fala da importância de levarmos o conhecimento das emoções às nossas escolas eu entrei em ?êxtase?. Isso sim pode mudar o mundo. Se as pessoas forem capazes de falar sobre isso com mais tranquilidade e desembaraço, se forem capazes de falar sobre o que sentem quando estão tristes, felizes ou magoadas, se puderem ajustar seu relógio das emoções, evitando magoar as pessoas, poderão se tornar menos analfabetas emocionais e ralacionais. Se puderem em seguida, entender o outro, perdoar, desculpar e compartilhar o que nós sentimos, ai sim, podemos começar a letrar o nosso dicionário de emoções e desta forma, ir nos tornando pessoas mais inteligentes na forma como nos relacionamos uns com os outros.

Juan Casassus, filósofo e sociólogo Chileno dirigiu uma pesquisa junto a UNESCO sobre a qualidade da Educação na América Latina. Envolvendo 54 mil alunos, comprova que a educação emocional é a variável mais importante para que os alunos aprendam mais e melhor. O processo de aprendizagem de todas as pessoas passa pelo mundo das emoções. Por exemplo, se um aluno não gosta de seu professor, certamente ele irá mal nas provas.

O impacto das experiências doloridas ou traumáticas vividas por cada um de nós, trazem uma grande influência e muitas vezes acaba por deixar as pessoas mais amargas ou mal resolvidas emocionalmente. Aceitar ser amado a qualquer preço ou preferir ser reconhecido por suas posses e status e não por suas qualidades pessoais, pode ser um grande indício de dificuldade de expessão das emoções e consequentemente aumenta o risco de relacionamentos complicados.

Muitas vezes as pessoas agem por meio de comportamentos agressivos, por pura necessidade de proteção ou auto-afirmação e acabam por pagar altos custos em seus relacionamentos. Sofrem, perdem, não conseguem manter vínculos, não conseguem ter relações saudáveis nem com suas famílias, nem com amigos, muito menos com seus parceiros. Ou às vezes acabam optando por uma relação de agressão ou extrema submissão, aceitando migalhas de amor.

Esses comportamentos podem ser amenizados, mas o primeiro passo é que tragam à razão e aceitem, para que, a partir disso, possam se tornar seres humanos melhores, mais adaptáveis, mais flexíveis e mais emocionalmente sadios.

O primeiro passo para ajustarmos os nossos relacionamentos é entendermos que a nossa dor não é causada pelo outro, mas por nossas próprias vivencias e histórias.

O fato de não darmos vazão aos nossos desejos, necessidades, emoções e opiniões, faz com que entremos em uma esfera de ?bloqueio afetivo?. A sensação de defesa ou a necessidade de ameaça se torna um gatilho de emoções aflitivas como o medo, a raiva e a tristeza. Às vezes profunda tristeza, o que muitas vezes causa a depressão.

Os problemas crescem e geram situações mal resolvidas e rancorosas entre as pessoas. Pessoas rancorosas lidam com o cotidiano, ora de forma passiva, ora de forma manipuladora. Quando estão à beira do colapso, tornam-se agressivas e invasivas, construindo relações destrutivas. Pessoas rancorosas são mais vulneráveis emocionalmente e ?presas fáceis? nos relacionamentos interpessoais, ou seja, facilmente perdem o controle da situação e acionam o ciclo da emoção aflitiva, agindo de forma negativa. E dessa forma, afastam de si as pessoas. Não querem fazer isso de forma consciente, mas não conseguem fugir da própria armadinha.

Esses são os nossos sabotadores e o ser humano é cheio deles, mas como não olhamos para dentro de nós, não nos damos conta deles e acabamos por repeti-los. E na sequência vem o arrependimento, porque eu fiz isso? Porque falei isso?

O que precisamos ter claro é que a passividade, a manipulação e a agressividade são ingredientes típicos de mecanismos de defesa. E a grande pergunta: Como mudar tudo isso? 1) tente se apropriar das suas emoções e se dar conta delas: pare de agir baseado em escolha inconsciente e faça uma escolha consciente de como você quer sentir, pensar e agir para se sentir mais confortável e de bem com a vida.

Mas, como? É simples, utilize seu cérebro a seu favor.

Nós temos áreas distintas do cérebro, que registram nossas emoções e nossos pensamentos.

Você pode conscientemente diminuir a ativação da área emocional (sistema límbico) e fortalecer mais a área do seu cérebro que está localizado no lobo frontal do córtex cerebral que se chama: pré-frontal.

O pré-frontal, também é considerado a sede da personalidade e a mente consciente, é hábil em diferenciar pensamentos conflitantes, analisar custos e benefícios de uma decisão, e prever consequências futuras, o que possibilita a proatividade para planejar ações que antecipem problemas.

O pré-frontal tem um papel fundamental na gestão emocional, pois regula a energia límbica e pode assim, criar comportamentos adaptativos, adequados ao ambiente e a situação, na tomada da consciência das emoções. Isso quer dizer que na ausência da ativação e uso do pré-frontal, as emoções ficam fora do controle.

Assim, podemos concluir que o pré-frontal é o responsável pelo processamento inteligente das emoções. Isso é uma escolha consciente, isso é inteligência emocional, isso é o primeiro passo para você se tornar mais inteligênte na forma como lida com o outro.

Não desista, exercite, treine e vá em frente. Todos nós podemos ser felizes.

Boa sorte!
Ana Artigas

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