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Inteligência relacional: O que isso tem a ver com a gestão de carreira?

Trabalho com empresas de faturamento razoável, de 6 a 60 Bilhões/ano e que estimam dobrar o faturamento até 2014. O desafio que me colocaram recentemente foi: o que precisamos aprimorar e desenvolver em nossos lideres para que nos ajudem a chegar lá?

Tive uma comprovação admirável a partir dessa demanda. Venho pesquisando há alguns anos o impacto dos relacionamentos no mundo corporativo. Como meu foco é o desenvolvimento de talentos e das altas lideranças, tenho avaliado o potencial dos lideres de todo o Brasil. Cada vez mais comprovo que, a empatia, a capacidade de harmonizar e equilibrar pensamentos e sentimentos no contato com as pessoas é a principal característica do que pode ser considerado sucesso nas relações e do que denomino "Inteligência Relacional".

Essa inteligência é uma das competências mais valorizadas no mundo corporativo, pois possibilita interação, trabalho em equipe, colaboraç^ão, boas negociações com as pessoas de dentro e fora da organização.

O que tenho percebido de modo geral, é que os lideres são excelentes técnicos, profundos conhecedores do que fazer e totalmente focados na "entrega", não deixam nada passar sem eficácia e qualidade. Ou seja, trabalho certo, no tempo certo! Até ai, tudo perfeito, mas é só isso? A que custo? E as pessoas? E a equipe?

Tenho descoberto com essa pesquisa e com as informações que analiso nestas empresas que muitos lideres não sabem o que fazer com pessoas e nem sempre conseguem se relacionar adequadamente. Eles tem dificuldade de participar de eventos sociais, de fazer network, de identificar e desenvolver talentos na sua equipe direta. E como será no futuro? Como os lideres estão percebendo o potencial das pessoas? Estão preparando potenciais para assumir o "seu lugar"? Fazem acompanhamento, dão feedback e controlam sua ansiedade para escutar a equipe?

Será que esses líderes são inteligentes em suas relações?

É preciso compreender os sentimentos dos outros e reagir de forma adequada a esta compreensão.

Além da clássica conversa ou do conhecido feedback (que muitas vezes, nem isso acontece), existem outras formas de avaliar a reação e as habilidades das pessoas. A própria linguagem não verbal (a comunicação através de gestos, expressões e sorrisos), pode nos fornecer uma compreensão maior do sentimento das pessoas. Muitas vezes os sentimentos não estão sintonizados com as palavras, por isto é necessário traduzir estes sentimentos através da observação e da comunicação não verbal.

Era nítido perceber que ambientes muito competitivos que glorificam modelos ambiciosos incentivavam o desenvolvimento de profissionais incapazes de sentir empatia. Mas o que tem me impressionado é que FELIZMENTE esse modelo está mudando. As empresas passam agora a se preocupar uma com as outras, com suas habilidades, em como estão, como pensam, agem e reagem!

Daniel Goleman dividem em três modelos, os lideres que podem ser prejudiciais nas organizações, são eles:

Narcisistas normalmente este profissional é muito competitivo e propenso a explorar as pessoas para sobressair-se. Pode ser valioso nas empresas, desde que não cometa excessos. Não tem empatia, pois só pensa em si mesmo.

Maquiavélicos este é o tipo de pessoa socialmente esperta, sagaz e que desenvolve empatia com o objetivo de beneficiar-se. Os fins justificam os meios para ele, tem grande capacidade de negociação e diplomacia, mas normalmente é frio e calculista.

Psicopatas quando o maquiavélico perde o controle de si mesmo, tende a tornar-se um psicopata. Incapaz de reconhecer emoções, não tem empatia, não tem medo, nem sente ansiedade e age friamente mantendo-se calmo em ocasiões de muito stress. São pessoas que se dão muito bem em situações ilícitas ou no mundo do crime.

Estes três tipos de deformação psicológica são extremamente prejudiciais nas organizações e na vida social também. Demonstram baixo grau de "inteligência relacional" comprometendo o relacionamento profissional e prejudicando a organização em que trabalham. Por essa razão tenho atestado que desenvolver a inteligência relacional é fundamental para o bom relacionamento entre as pessoas nas relações profissionais, na gestão da carreira e para o marketing pessoal, pois nos possibilita criar um clima mais harmônico e motivado dentro das organizações. E é dessa forma que as empresas conseguirão dobrar seu faturamento bilionário até 2014. Isso contribuirá com uma maior produtividade e resultados efetivos e duradouros!

Ana Artigas Santos

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